- A questão dos
direitos coletivos e das comunidades passa hoje necessariamente pela
questão midiática.
Fica patente a urgência de uma conscientização pela mídia da importância
e do valor cultural destes direitos coletivos. Sem uma consciência adequada
e em sintonia com o significado social das identidades culturais não
será possível reivindicar os direitos coletivos correspondentes.
- A dinâmica emocional
permitiria coexistências positivas através de vivencias criativas, o
emocional transcendendo os limites das diferenças. As expressões de
arte face à diversidade cultural humana seriam capazes de transcender
as barreiras racionais da rejeição, do recalque de um outro diferente,
transportando identidade cultural profunda, poesia mítica de um povo,
que seriam capazes de mobilizar e abrir caminhos para um olhar mais
despojado, motivando novas aberturas de aceitação do outro, capazes
de estabelecer pontes de aproximação entre diversos através da emoção
do belo, do descobrimento da riqueza de outras historias, de outros
contextos civilizatórios.
A experiência de criação entre um artista plástico, uma cantora-bailarina-itelectual
e um cineasta deixou claro que a "lógica do afeto" é imprescindível
a qualquer trabalho de sensibilização de grupos. Ficou claro que não
se trata do emocionalismo desabrido (este com que a indústria cultural
e a televisão seduzem seus públicos), mas da emoção atravessada pela
lucidez, isto é, a sensibilidade lúcida que dá margem a uma retomada
do discurso crítico.
As manifestações artísticas, como as que foram desempenhadas neste evento
de outubro de 2000, podem ser vias muito mais eficazes de acolhida das
diversidades e de promoção de mudanças do que discursos teóricos que
não consigam atingir o afeto.
A lucidez criativa da sensibilidade aponta caminhos e abre endereços
para uma convivência de transformação contínua do estranho do outro,
como desafio de criatividade e inovação.