II Fórum Secneb sobre Ética e Coexistência e Estética e Diversidade

Súmário do Evento

Veja a Programação do Evento

A Sociedade de Estudo das Culturas e da Cultura Negra no Brasil - SECNEB, realizou de 12 a 15 de outubro do ano 2000, em Salvador, tal como fora programado, o 2º Encontro do FÓRUM INTERNACIONAL: DIREITOS DO HOMEM E DIVERSIDADE HUMANA: ÉTICA E COEXISTÊNCIA ESTÉTICA E DIVERSIDADE.

Iº) Este Segundo Encontro propôs discutir as dimensões jurídicas, éticas e emocionais dos direitos coletivos à identidade cultural. Neste sentido, visava:

1º - apontar experiências que mostrassem a possibilidade de coexistirem e a necessidade de se complementarem as diversidades culturais;

2º - recomendar mecanismos e ações que protegessem a diversidade cultural, promovessem as identidades diferentes e defendessem as pluralidades coletivas da sociedade contemporânea, ameaçadas todas pela globalização.

Dr. Dalmo de Abreu Dallari / Dr. Juana Elbein dos Santos
Dr. Deoscoredes M. dos Santos

IIº) O Fórum se dividiu em três partes:

1º - as dimensões jurídicas dos direitos coletivos;

2º - a ética da diversidade e a mundialização;

3º - a dinâmica emocional e as barreiras de rejeição da diversidade;

IIIº) Indicadores propostos:

- As intervenções dos juristas se limitaram a procurar na legislação já vigente os remédios jurídicos para a defesa dos direitos coletivos e difusos. Ora tais direitos ainda buscam sua legislação própria. O que existe é insuficiente e praticamente nulo neste sentido.
Como conseguir que uma coletividade respeite e coexista com uma outra diversa?
A Ética clama por uma mundialização da aceitação das diferenças, mas não pelo fanatismo igualitário imposto pela tirania da mídia.


- A questão dos direitos coletivos e das comunidades passa hoje necessariamente pela questão midiática.
Fica patente a urgência de uma conscientização pela mídia da importância e do valor cultural destes direitos coletivos. Sem uma consciência adequada e em sintonia com o significado social das identidades culturais não será possível reivindicar os direitos coletivos correspondentes.

- A dinâmica emocional permitiria coexistências positivas através de vivencias criativas, o emocional transcendendo os limites das diferenças. As expressões de arte face à diversidade cultural humana seriam capazes de transcender as barreiras racionais da rejeição, do recalque de um outro diferente, transportando identidade cultural profunda, poesia mítica de um povo, que seriam capazes de mobilizar e abrir caminhos para um olhar mais despojado, motivando novas aberturas de aceitação do outro, capazes de estabelecer pontes de aproximação entre diversos através da emoção do belo, do descobrimento da riqueza de outras historias, de outros contextos civilizatórios.
A experiência de criação entre um artista plástico, uma cantora-bailarina-itelectual e um cineasta deixou claro que a "lógica do afeto" é imprescindível a qualquer trabalho de sensibilização de grupos. Ficou claro que não se trata do emocionalismo desabrido (este com que a indústria cultural e a televisão seduzem seus públicos), mas da emoção atravessada pela lucidez, isto é, a sensibilidade lúcida que dá margem a uma retomada do discurso crítico.
As manifestações artísticas, como as que foram desempenhadas neste evento de outubro de 2000, podem ser vias muito mais eficazes de acolhida das diversidades e de promoção de mudanças do que discursos teóricos que não consigam atingir o afeto.
A lucidez criativa da sensibilidade aponta caminhos e abre endereços para uma convivência de transformação contínua do estranho do outro, como desafio de criatividade e inovação.

Profº. Juciara Mello - Bahiatursa; Secretaria da cultura / Prof. Ubiratam Castro Araújo - CEAO - UFBA
Prof. Marcos Terena - Comunidades indigenas; FUNAI ; ONU / Dr. Josaphat Marinho - Universidade Federal da Bahia e de Brasilia
Dr. Dalmo de Abreu Dallari - USP/ UNESCO Comissão Internacional de juristas / Genebra / Dr. Juana Elbein dos Santos - SECNEB
Dr. Deoscoredes M. dos Santos - INTECAB / Dr. Joel Rufino - Secretaria de Justiça e dos Direitos Humanos - RJ
Profº.Jônatas Nunes Barreto - Fundação Palmares